Blog do Roberto Kalil http://drkalil.blogosfera.uol.com.br Professor titular de Cardiologia, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Roberto Kalil Filho vai falar sobre saúde do coração, e de outros temas relacionados a bem-estar. Mon, 16 Sep 2019 13:45:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Setembro Amarelo: como o filósofo Mario Sergio Cortella enxerga o suicídio http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/09/16/setembro-amarelo-como-o-filosofo-mario-sergio-cortella-enxerga-o-suicidio/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/09/16/setembro-amarelo-como-o-filosofo-mario-sergio-cortella-enxerga-o-suicidio/#respond Mon, 16 Sep 2019 07:00:57 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=111

Estamos em setembro e, há quatro anos, no Brasil, é considerado o mês de prevenção ao suicídio.

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), nove em cada dez pessoas que tiram a própria vida podem ser salvas. Por isso, precisamos, sim, falar sobre o tema.

E para motivar esta discussão tão importante, busquei uma abordagem diferente: outro ponto de vista sobre a questão. Dessa vez, convidei o filósofo e escritor Mario Sergio Cortella para nos explicar como a filosofia entende e enxerga o suicídio.

“O problema é uma epidemia nos tempos atuais. Vamos ficar atentos à nossa volta”, enfatiza Cortella.

O suicídio é brutal. Convido a todos para assistir ao vídeo acima.

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Infarto em jovem é súbito, geralmente não há dor prévia http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/09/06/infarto-em-jovem-e-subito-geralmente-nao-ha-dor-previa/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/09/06/infarto-em-jovem-e-subito-geralmente-nao-ha-dor-previa/#respond Fri, 06 Sep 2019 18:23:14 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=101

Nesta semana, tivemos a triste notícia sobre o falecimento do filho do ex-jogador Cafu, capitão da Seleção Brasileira no pentacampeonato em 2002. Danilo Feliciano de Moraes tinha apenas 30 anos de idade e foi vítima de infarto.

O problema acomete jovens, sim. E quando acontece é, habitualmente, sem sintomas prévios, dor (o que é mais comum em pessoas com mais idade). Mas o evento é raro.

O infarto é, normalmente, caracterizado pela obstrução da artéria chamada coronária, responsável por levar sangue ao coração. O fechamento acontece, geralmente, pela formação de um coágulo que impede a circulação do sangue. Em casos graves, pode levar à morte.

No vídeo acima, explico este e outros detalhes da doença.

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Falta de ar, tosse: asma não tem cura, mas pode ser controlada http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/falta-de-ar-tosse-asma-nao-tem-cura-mas-pode-ser-controlada/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/09/02/falta-de-ar-tosse-asma-nao-tem-cura-mas-pode-ser-controlada/#respond Mon, 02 Sep 2019 07:00:02 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=92

Nesta semana, trago um tema que ganhou bastante atenção nos últimos dias: a asma. Trata-se de uma doença respiratória crônica, caracterizada pela dificuldade da entrada e saída de ar dos pulmões devido à inflamação das vias respiratórias.

A asma não tem cura, mas com orientação médica e tratamento adequado, pode ser controlada e crises prevenidas. Por isso, pacientes com a condição levam uma vida normal.

Para explicar sobre a doença, convidei o Dr, Carlos Carvalho, pneumologista do Incor (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas, ligado à USP (Universidade de São Paulo).

Confira no vídeo acima.

 

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O que depressão tem a ver com doença cardíaca? http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/26/o-que-depressao-tem-a-ver-com-doenca-cardiaca/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/26/o-que-depressao-tem-a-ver-com-doenca-cardiaca/#respond Mon, 26 Aug 2019 07:00:42 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=81

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A depressão é a principal causa de problemas de saúde e incapacidade em todo o mundo, e será um dos principais problemas de saúde pública nas próximas décadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), já são 350 milhões de pessoas sofrendo com o transtorno no mundo. No Brasil, 5,8% da população sofre com depressão — o que significa mais de 11,5 milhões de pessoas.

A doença é caracterizada por um transtorno mental, que produz alterações de humor. Tais mudanças são caracterizadas por tristeza profunda, relacionada com sentimentos de dor, baixa autoestima, distúrbios do sono e apetite, além de falta de concentração. Em casos mais graves, a depressão também pode resultar em suicídio — sendo atualmente registrados 800 mil casos no mundo.

Nos últimos anos, temos observado que a depressão não apenas é mais prevalente em pacientes com doenças cardíacas, como também é fator de risco para o desenvolvimento de doenças do coração —o que acaba sendo ainda mais grave nestes pacientes.

Algumas teorias sugerem que mecanismos causais de doenças coronárias (infarto, angina) e de insuficiência cardíaca, são semelhantes aos relacionados às causas de depressão. Os principais mecanismos propostos são:

  1. Hipercortisolemia;
  2. Hiperatividade simpática;
  3. Anormalidades plaquetárias levando a fenômenos trombóticos;
  4. Ativação do sistema imunológico promovendo inflamação;
  5. Fatores genéticos;
  6. Associação da depressão com comportamentos que predispõem à doença cardíaca.

Os pacientes com depressão alimentam-se de maneira inadequada, tem maior prevalência de tabagismo, de sedentarismo e, portanto, maior incidência de diabetes e de níveis elevados de colesterol e triglicérides no sangue. Todos esses fatores resultam em maior chance e gravidade de doença cardíaca.

Hoje, sabe-se que pacientes com depressão têm um risco de mortalidade quatro vezes maior após 6 a 18 meses do evento de infarto agudo do miocárdio infarto agudo do miocárdio. A Associação Americana de Cardiologia recomenda o tratamento da depressão como importante intervenção para melhorar o prognóstico da doença cardíaca. Evidências atuais demonstram que o tratamento adequado da depressão melhora o prognóstico da doença cardiovascular.

Assim, devemos ressaltar a importância do diagnóstico e do tratamento da depressão na população geral — não só visando o equilíbrio mental, mas também tendo como objetivo promover a saúde cardiovascular. Enfrentar a depressão é necessário, pois trata-se de um problema de saúde pública com impacto na qualidade de vida de milhões de pessoas.

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A relação entre o câncer e as doenças do coração http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/19/a-relacao-entre-o-cancer-e-as-doencas-do-coracao/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/19/a-relacao-entre-o-cancer-e-as-doencas-do-coracao/#respond Mon, 19 Aug 2019 07:00:31 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=74

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As doenças cardiovasculares e o câncer são as principais causas de mortalidade em todo o mundo. E, atualmente, sabemos, cada vez mais, que há muitas interações entre esses dois problemas.

Primeiro, fatores de risco conhecidos para doença cardíaca, como obesidade, hipertensão arterial, tabagismo, dislipidemia (gordura aumentada no sangue), diabetes, sedentarismo, dentre outros, também aumentam o risco de câncer. Além disso, algumas pesquisas recentes sugerem que alterações orgânicas decorrentes de problemas cardiovasculares, como a insuficiência cardíaca, podem predispor ao surgimentos de tumores. E, desde o final da década de 70, foi demonstrada a ocorrência de efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia no coração.

Nos últimos dez anos, o estudo da relação entre doença cardíaca e câncer deu origem a uma nova área ou subespecialidade: a cardio-oncologia. Esta área tem como objetivo unir oncologistas, cardiologistas e os demais profissionais de saúde para prevenir, diagnosticar e tratar de maneira eficiente as doenças cardiovasculares em pacientes com câncer.

Na prática clinica, observamos toxicidade ou efeitos colaterais dos quimioterápicos no coração, uma vez que, graças aos avanços da oncologia, no que se refere a novos medicamentos e tipos de tratamento, felizmente esses pacientes vivem por mais tempo. Tais efeitos colaterais variam desde alterações no eletrocardiograma, a casos graves de insuficiência cardíaca, arritmias, infarto agudo do miocárdio e tromboembolismo venoso. No caso do câncer de mama, após oito anos de diagnóstico e tratamento, a principal causa de morte passa a ser por problemas cardiovasculares.

Felizmente, a cardio-oncologia, com o estabelecimento de rotinas de acompanhamento e de controle clínico adequado dos pacientes, tem contribuído para a redução das complicações cardíacas dos pacientes desde o inicio do diagnostico de câncer.

Toda a população deve estar esclarecida da importância da prevenção – tanto do câncer quanto das doenças do coração. Não fumar, não beber em excesso, praticar atividade física regular, prevenir e cuidar da hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia pode significar vida longa e com qualidade. Além disso, medidas protetoras à saúde do coração devem ser enfatizadas de maneira ainda mais rigorosa em pacientes com câncer –pela maior ocorrência de dano cardíaco, além da possibilidade de também gerar melhores resultados no tratamento oncológico.

A importância da cardio-oncologia é tamanha que, no Brasil, desde 2010, com o apoio das Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Oncologia, nós publicamos diretrizes para uniformizar protocolos e condutas na área, assim como sugerimos a inclusão da temática na grade curricular nos programas de residência em cardiologia.

O Instituto do Coração e o Instituto do Câncer do Hospital das Clinicas, da Faculdade de Medicina da USP, em colaboração com o Hospital Sírio-Libanês, passaram a desenvolver estudos clínicos e pesquisas experimentais na área, com o objetivo de auxiliar o maior numero de pacientes a ter tratamento seguro e, acima de tudo, a viver com qualidade.

Nesse ano, teremos a honra de sediar o Congresso Mundial de Cardio-Oncologia que, pela primeira vez na história, ocorrerá no Brasil, em São Paulo.

Certamente, a Cardio-Oncologia é um campo que está em clara ascensão, e tem como grande desafio amparar, de forma plena, os pacientes que, durante ou após o tratamento contra o câncer, possam desenvolver doenças cardiovasculares.

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Morador de rua não é caso de polícia. É caso de política http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/12/morador-de-rua-nao-e-caso-de-policia-e-caso-de-politica/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/12/morador-de-rua-nao-e-caso-de-policia-e-caso-de-politica/#respond Mon, 12 Aug 2019 07:00:50 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=59

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Em conversa recente, Frei Betto* me contou algumas histórias dos moradores de rua. É um assunto de extrema importância e complexidade, além de ser um problema sério de saúde pública. Durante o encontro, pedi a ele que fizesse um texto sobre essa triste realidade no Brasil. Frei Betto concordou e, gentilmente, enviou o relato abaixo especialmente para os leitores do Blog. Agora, com a palavra, o escritor e jornalista:

Na porta da igreja de São Domingos, no bairro de Perdizes, na capital paulista, faz ponto um pequeno grupo de pessoas em situação de rua. Dormem em uma construção paralisada por razões judiciais ou à porta do templo. De dia, ganham algum dinheiro em troca de vigiar carros que por ali estacionam. São todos jovens e, alguns, notoriamente travestis que contraíram HIV e recebem cuidados periódicos no Hospital Emílio Ribas.

A ninguém incomodam, exceto pedir dinheiro aos vizinhos alegando que ainda não tomaram café da manhã ou almoçaram. Porém, quando se embriagam ou se drogam, ficam excitados, falam alto, discutem entre si, o que incomoda a vizinhança.

Dia desses, paroquianos se queixaram desse incômodo. Insistiram ser preciso tomar providências para tirá-los dali. Como? A rua é pública e, como dizia Castro Alves, ‘a praça é do povo como o céu é do condor’. Chamar a polícia? Mas, por quê? Não roubam, não agridem ninguém, e nem há indícios de que fazem tráfico de drogas –embora alguns sejam usuários, como centenas entre os 15 mil moradores de rua, segundo a Prefeitura, que se espalham pelas calçadas da cidade de São Paulo.

Diante da queixa, lembrei aos paroquianos que, antes de eles adotarem aquele local como ponto, havia ali frequentes roubos de carros, sobretudo à noite, quando alunos da PUC ocupam as ruas vizinhas. Meu carro sofreu tentativa de furto duas vezes, salvo pelo eficiente alarme.

Perguntei aos queixosos: ‘Depois que eles se instalaram aqui, vocês têm notícias de roubos?’ Ninguém tinha. Expliquei, então, a razão: morador de rua é antídoto ao ladrão. Ele sabe que, se houver roubo na rua que ele frequenta, com certeza a vizinhança o apontará como culpado. É como o caso da madame que não lembra onde escondeu as joias e, de cara, põe a culpa na faxineira inocente.

Se morador de rua é acusado de roubo, a polícia, para satisfazer a ira da vizinhança, trata de levá-lo e soltá-lo mais adiante. A polícia, sim, sabe que não se pode confundir morador de rua com bandido. Se um bandido entra na região ocupada por moradores de rua, eles são os primeiros a identificá-lo e a expulsá-lo dali, pois têm consciência de que, comprovado o roubo, a culpa recairá sobre eles.

Uma vizinha veio aflita falar comigo, e me mostrou as cartas endereçadas à filha dela, de 16 anos, pelo homem que dormia na praça em frente à casa da família. Muito bem escritas e respeitosas. ‘Como pode ser morador de rua uma pessoa que escreve tão bem assim?’, indagou ela. ‘Temo que ele queira abusar de minha filha’. Perguntei, então: ‘Você já conversou com ele?’ A resposta veio negativa. Fui falar com o suspeito. Disse que tinha segundo ano de medicina e, levado pela fase hippie, quando se drogava, largou tudo para viver ‘em total liberdade nas ruas’. A notícia se espalhou e a vizinhança o adotou: ele ganhou quentinhas, garagem aberta para se abrigar em noites de chuva etc. O rapaz sumiu. Com certeza, para preservar sua independência.

Nossa paróquia, todas as segundas-feiras, recebe mais de 100 moradores de rua para almoçar na quadra de esporte atrás da igreja. Ali, eles se banham, recebem roupas limpas e agasalhos. E comem fartamente a refeição preparada por voluntários que trazem os alimentos, cozinham e servem.

Um dos frequentadores me disse: ‘Frei, aqui é bom porque a comida tem sustança. Sabe por que muitos de nós não têm dentes? Porque essa gente que nos acorda de madrugada para dar comida quase sempre só oferece sopa. E pra que dente se não tem uso?’

É óbvio que há exceções, como a ocorrida no Rio de Janeiro, no final de julho, quando um morador de rua, com sérios problemas psiquiátricos, esfaqueou três pessoas. Quem transita pelo centro de São Paulo se depara, a cada passo, com pessoas estiradas nas calçadas. No máximo pedem dinheiro ou comida.

Com o desemprego de 13 milhões de brasileiros, tende a crescer o número de moradores de rua. Enquanto a causa que os produz –o agravamento das desigualdades sociais – não for combatida, eles se multiplicarão.

Morador de rua não é caso de polícia. É caso de política.

*Frei Betto é frade dominicano, jornalista e escritor, autor de mais de 60 livros. Ele acumula décadas de trabalho social, procurando genuinamente contribuir para melhorar a vida do próximo.

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A síndrome do coração partido: conheça a cardiomiopatia de Takotsubo http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/05/a-sindrome-do-coracao-partido-conheca-a-cardiomiopatia-de-takotsubo/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/08/05/a-sindrome-do-coracao-partido-conheca-a-cardiomiopatia-de-takotsubo/#respond Mon, 05 Aug 2019 07:00:47 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=47

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A síndrome do coração partido, também conhecida como cardiomiopatia de Takotsubo ou “broken heart disease”, foi descrita pela primeira vez em 1990. Trata-se de uma alteração súbita e transitória do músculo cardíaco, comprometendo o funcionamento do coração. Takotsubo é o nome de um jarro utilizado no Japão como armadilha para capturar polvos. Essa forma de miocardiopatia recebeu este nome porque o coração dos pacientes apresenta um aspecto semelhante ao do jarro japonês.

Por ser induzida por uma situação de estresse, seja de origem emocional (negativo ou positivo) ou física (roubo, acidente de carro, grave crise asmática, notícia de falecimento de um ente querido, divórcio, ou até ganhar na loteria), atualmente há uma tendência de ser denominada ‘cardiopatia do estresse’.

A ligação da emoção com a alteração cardíaca súbita provavelmente decorre da liberação de substâncias chamadas catecolaminas (exemplo a adrenalina). Essas catecolaminas podem gerar uma constrição transitória das artérias que irrigam o coração, provocando uma isquemia (falta de fluxo de sangue e oxigênio) do músculo cardíaco. Por isso, um quadro clínico semelhante ao de infarto agudo do miocárdio, com dor no peito, alteração eletrocardiográfica e anormalidades nos exames de sangue (troponina), que sugerem sofrimento cardíaco, também acontece.

Na maioria das vezes, os cardiologistas optam por submeter o paciente ao cateterismo cardíaco, pois o quadro clínico é muito semelhante ao do infarto. Porém, diferentemente do infarto agudo do miocárdio, não são encontradas obstruções nas artérias coronárias.

A síndrome surge com muito mais frequência em mulheres (90% dos casos), e em pessoas idosas. Os sintomas mais comuns são a dor no peito, falta de ar, e taquicardia. Apesar de a maioria dos casos ser uma doença reversível e transitória, pode ser grave a ponto de levar o paciente a óbito.

Mas vale ressaltar que, apesar de comum, nem toda síndrome do coração partido está relacionada a algum evento estressante. Em cerca de um terço dos pacientes, não é possível identificar o fator desencadeante.

Caso o paciente tenha os sintomas mencionados, deve procurar assistência médica imediatamente, pela gravidade da doença e necessidade de tratamento de emergência. O tratamento baseia-se na avaliação da condição causal e em medicações e dispositivos para manter as funções do músculo cardíaco.

Após algumas semanas, a maioria dos pacientes têm uma recuperação completa da função do coração. E, felizmente, não é comum a recorrência da síndrome após um novo evento estressante — logo, sabe-se que a cardiomiopatia Takotsubo é uma situação isolada na vida do paciente.

Portanto, ao evitar e combater o estresse, você terá menos chances de apresentar um sério problema cardíaco.

Referências bibliográficas
  1. da Silva Costa IBS, Figueiredo CS, Fonseca SMR, Bittar CS, de Carvalho Silva CMD, Rizk SI, Filho RK, Hajjar LA. Takotsubo syndrome: an overview of pathophysiology, diagnosis and treatment with emphasis on cancer patients. Heart Fail Rev. 2019 Jun 13. 
  2. Pelliccia F, Kaski JC, Crea F, Camici PG (2017) Pathophysiology of Takotsubo syndrome. 135(24):2426–2441Google Scholar
  3. Lyon AR, Bossone E, Schneider B, Sechtem U, Citro R, Underwood SR, Sheppard MN, Figtree GA, Parodi G, Akashi YJ, Ruschitzka F, Filippatos G, Mebazaa A, Omerovic E (2016) Current state of knowledge on Takotsubo syndrome: a position statement from the taskforce on Takotsubo syndrome of the Heart Failure Association of the European Society of Cardiology. Eur J Heart Fail 18(1):8–27

 

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Doação de órgãos: a lição do caubói Woody que todos deveriam seguir http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/07/29/doacao-de-orgaos-a-licao-do-cauboi-woody-que-todos-deveriam-seguir/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/07/29/doacao-de-orgaos-a-licao-do-cauboi-woody-que-todos-deveriam-seguir/#respond Mon, 29 Jul 2019 07:00:54 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=35

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Toy Story 4 é um filme para crianças e adultos de todas as idades. Entre as muitas cenas tocantes dos brinquedos que ganham vida e sentimentos quando os humanos não estão olhando, há uma em especial que nos mostra a importância da doação. Como não quero deixar ninguém bravo comigo pelo spoiler, sugiro que assistam à animação, e fiquem atentos para os momentos de decisão do caubói Woody. Ao aceitar doar uma pequenina parte de seu corpo, o boneco demonstra um dos mais nobres sentimentos humanos: a solidariedade.

Assim como Woody, quando uma pessoa se torna um doador de órgãos, ela demonstra toda sua generosidade e desprendimento. No Brasil, as estatísticas do Sistema Nacional de Transplantes demonstram que, aproximadamente, 40 mil brasileiros precisam passar por algum tipo transplante e aguardam por doadores — sendo que destes, 190 esperam por transplante de pulmão, e 360 necessitam de transplante de coração.

Somente no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, hospital de referência mundial em doenças cardiovasculares e pulmonares que tenho a honra de presidir, 20 crianças e 40 adultos esperam por transplante de coração (em virtude de insuficiência cardíaca em fase avançada), e 50 pacientes aguardam por transplante de pulmão. No estado de São Paulo, 220 pacientes esperam por um coração.

O programa de transplantes do InCor é um exemplo para o Brasil e já salvou diversas vidas. Desde 1985, mais de mil pacientes já foram submetidos ao procedimento na instituição. Hoje, realizamos mais de 100 transplantes de órgãos torácicos no InCor anualmente, e isto se deve, sobretudo, ao investimento institucional na criação de um Núcleo de Transplantes, que reúne médicos e multiprofissionais trabalhando exclusivamente com o procedimento.

Além disso, as parcerias estabelecidas pelo InCor com a Força Aérea Brasileira (FAB), a Polícia Militar do Estado de São Paulo, e a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo para a utilização de aeronaves, helicópteros e mesmo para fretamento de voos, são fundamentais — uma vez que quase 50% dos nossos transplantes são realizados com captações à distância (acima de 50 Km).

O transplante de coração é o tratamento definitivo da insuficiência cardíaca avançada: doença grave, caracterizada por fraqueza do músculo cardíaco, que resulta na incapacidade do coração em transportar sangue e oxigênio por todo o organismo. No Brasil, estima-se que a doença atinja mais de 5 milhões de pessoas, sendo a principal causa de internação hospitalar. O período de espera por um coração é, na maioria das vezes, um tempo de angústia e de sofrimento que pode durar, em média, seis meses. Neste período, 20% a 30% dos pacientes morrem, e uma boa parte fica internada em leitos de emergência ou de terapia intensiva — onde muitas vezes desenvolvem complicações que acabam por impedir a realização do transplante.

O procedimento melhorou muito com os novos medicamentos disponíveis, e com o controle de rejeição. Participar da realização de um transplante cardíaco bem sucedido é uma das maiores realizações que um médico pode vivenciar. Uma pessoa muitas vezes restrita a um leito, sem força para respirar, alimentar ou viver ganha uma nova chance, uma nova vida. E a partir dali, passa a reescrever sua história.

A taxa de sucesso atual de um transplante de coração é de 90%, e vida com qualidade é alcançada por meio desse ato. Entretanto, necessitamos de muitos mais órgãos do que os que hoje são disponíveis para doação. Enquanto esse problema da escassez de doadores não for solucionado, milhares de pacientes morrerão. Para isso, a saúde pública brasileira tem que melhorar. Somente assim poderemos aumentar a captação de órgãos.

O potencial doador é, na maioria das vezes, um paciente que teve derrame cerebral (AVC) ou um trauma cranioencefálico, que evoluiu para morte encefálica. É indispensável que o potencial doador seja bem atendido e cuidado nos hospitais, e é necessário que haja a profissionalização do sistema de captação de órgãos, em parceria com o estados e municípios, além do aprimoramento da política regional de doações. Entretanto, para que essas ações resultem em transplantes bem sucedidos e vidas salvas, é essencial que as famílias compreendam o significado da doação de órgãos, e que essa manifestação de solidariedade e compaixão seja disseminada pela sociedade como um todo.

A alta taxa de recusa familiar para doação de órgãos é um problema grave no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 40% da população brasileira não aceita doar órgãos de parentes falecidos com diagnóstico de morte cerebral. Precisamos discutir esse assunto de forma aberta e clara: o ato da doação de órgãos é genuíno, significa salvar vidas.

Por tudo isso, depois de ver Toy Story 4, aproveite a lição do filme para conversar com a família e com os amigos. Mire-se no exemplo do Woody, salve vidas. Seja você também um doador.

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Risco de doenças cardiovasculares aumenta em usuários de maconha http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/07/22/pesquisas-indicam-aumento-de-doencas-cardiovasculares-em-quem-usa-maconha/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/07/22/pesquisas-indicam-aumento-de-doencas-cardiovasculares-em-quem-usa-maconha/#respond Mon, 22 Jul 2019 07:00:52 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=25

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Pesquisas recentes registraram aumento significativo de doenças cardiovasculares em usuários de maconha, especialmente em formulações com altos teores de THC.

O THC, tetrahidrocanabinol, é um dos principais compostos da Cannabis sativa, também conhecida como marijuana ou maconha, e é sua principal substância psicoativa.

Apesar de a literatura científica sobre a relação entre o uso de cannabis e o sistema cardiovascular ser ainda bastante restrita, acredita-se que sua inalação, com seus inúmeros componentes tóxicos (em torno de 500), possa desencadear complicações cardíacas agudas e crônicas.

Entre as principais consequências estão espasmo das artérias coronárias, inflamação e aumento da coagulação dos vasos, o que resulta em trombose. Além disso, o uso da maconha eleva os níveis de pressão arterial e da frequência cardíaca, podendo causar hipertensão arterial e arritmia.

Um estudo recente publicado pela Dra. DeFilippis, da Universidade de Harvard, demonstrou que o uso da maconha estava associado a maior mortalidade geral e cardiovascular em análise de mais de 2000 pacientes com menos de 50 anos, que tiveram infarto do miocárdio. Apesar de os pacientes expostos a cannabis terem menor prevalência de hipertensão, diabetes e dislipidemia (níveis elevados de gorduras no sangue), comprovou-se que os índices de mortalidade do grupo eram aproximadamente o dobro, em relação àqueles não expostos à droga.

É importante ressaltar que os efeitos cardíacos da maconha podem ser exacerbados pelo estilo de vida inadequado dos indivíduos dependentes, caracterizado por altas taxas de sedentarismo e pela maior prevalência de ingestão de álcool e tabagismo. Já no sistema nervoso central, a maconha pode resultar em maior índices de ansiedade, depressão, pânico, psicoses e fobias. Esses fatores também podem ter relação direta com a doença cardiovascular. Assim, os efeitos da cannabis sativa no coração são, sim, preocupantes, e merecem mais atenção da sociedade e da comunidade científica.

No dia 11 de junho, A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou consulta pública para discutir o cultivo da planta de Cannabis sativa no Brasil, para fins medicinais e científicos, além da produção de medicamentos nacionais com base em derivados da substância. O uso medicinal dos derivados da planta vem sendo testado no controle de crises convulsivas, glaucoma, dor e no tratamento de doenças neurológicas graves, como a esclerose múltipla e o mal de Parkinson. A Cannabis sativa, com finalidade terapêutica (já legalizada em vários países) deve, contudo, ser melhor estudada cientificamente, por meio de pesquisas experimentais e ensaio clínicos.

Se por um lado o uso medicamentoso da maconha pode ser benéfico para alguns pacientes, a Organização Mundial da Saúde (OMS), reportou, em 2016, que a maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo, e que sua utilização para fins recreativos é considerada um comportamento de risco, com potenciais efeitos nocivos para a saúde, incluindo complicações neuropsiquiátricas e cardíacas.

Apesar disso, a frequência do uso de cannabis é crescente em todo o mundo e, num momento em que se discute sua descriminalização, deve-se levar em consideração que seu uso, fora da medicina, tem potenciais efeitos prejudiciais à saúde.

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É possível evitar milhões de mortes com atitudes simples http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/e-possivel-evitar-milhoes-de-mortes-com-atitudes-simples/ http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/2019/07/15/e-possivel-evitar-milhoes-de-mortes-com-atitudes-simples/#respond Mon, 15 Jul 2019 07:00:31 +0000 http://drkalil.blogosfera.uol.com.br/?p=13

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Você sabia que podemos evitar milhões de mortes com medidas simples? Pois, sim, é possível. A prevenção das doenças cardiovasculares é a medida mais eficiente para evitar mortes por infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (derrame). Essa prevenção se dá, fundamentalmente, pelo controle adequado dos chamados “fatores de risco para aterosclerose” (acúmulo de depósitos de gordura nas paredes internas dos vasos sanguíneos). São eles: colesterol alto, tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, sedentarismo, entre outros.

As doenças cardiovasculares são as principais causas de mortalidade no mundo, representando mais de 30% de todas as mortes globalmente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,5 milhões de pessoas morrem vítimas de doenças cardiovasculares por ano, sendo que 50% poderiam ser evitadas por medidas de prevenção.  No Brasil, a situação não é diferente. A média anual chega a 400 mil — o que corresponde a uma vida perdida a cada 40 segundos. Isso corresponde a duas vezes mais do que todas as mortes decorrentes de câncer, e seis vezes mais que as provocadas por todas as infecções no país.

As doenças cardiovasculares são um grupo de doenças do coração e dos vasos sanguíneos. Dessas, as mais comuns são:

  • Doença coronária (infarto agudo do miocárdio e angina) – doença das artérias coronárias, vasos sanguíneos que irrigam o músculo cardíaco;
  • Acidente vascular cerebral (AVC) ou derrame – doença dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro.

O infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral geralmente são eventos causados principalmente por um bloqueio que impede o sangue de irrigar, respectivamente, o coração e o cérebro. A causa mais comum desse bloqueio é o acúmulo de depósitos de gordura nas paredes internas dos vasos sanguíneos, a chamada aterosclerose. Isso ocorre por uma combinação de fatores de risco, como:

  • predisposição genética,
  • uso de tabaco,
  • dietas inadequadas,
  • obesidade,
  • sedentarismo,
  • uso nocivo do álcool,
  • hipertensão arterial,
  • diabetes e
  • aumento do colesterol.

Os exemplos do que deve ser feito para diminuir a incidência de infarto agudo do miocárdio e os acidentes vasculares cerebrais são:

  • praticar atividades físicas,
  • ter uma alimentação balanceada,
  • controlar o colesterol,
  • controlar a pressão arterial;
  • controlar o diabetes e
  • não fumar.

O ideal é que também não haja consumo de álcool – ou fazê-lo, no máximo, de forma moderada. Outras medidas importantes são a redução do consumo de sal, e a busca por assistência médica de qualidade — a fim de realizar check-up, e ter orientação correta para a utilização da medicação, quando indicada.

Embora essas doenças e as formas de prevenção das mesmas sejam conhecidas da comunidade médica e da população em geral, os brasileiros vêm sofrendo cada vez mais com a ocorrência precoce das doenças cardiovasculares e suas graves consequências. Como cidadãos, devemos nos conscientizar sobre a importância da nossa saúde, e assumir papel de protagonista de uma vida com qualidade.

A saúde começa com o autocuidado, e milhares de vidas poderão ser salvas se todos se empenharem em estabelecer medidas de prevenção contra doenças cardiovasculares. Portanto, priorize uma dieta equilibrada, não fume, não beba álcool exageradamente, cuide de sua pressão arterial, previna e controle o diabetes e o colesterol alto.

E, claro, não se esqueça: a prática regular de exercícios também é de extrema importância.

Cada um de nós deve ser responsável pela adoção de um estilo de vida mais saudável e com qualidade.

 

 

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